Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

AVISO AOS TRAFEGANTES - *Carlos Ney



- Dentre as incontáveis placas espalhadas por nossas vias, uma, por sua não existência, parece clamar por nossa atenção: CUIDADO, VOCÊ É A CAÇA! O fato inspirador de tal comentário envolve, além do momento olímpico que nos expõe (curiosidades e mazelas) aos olhos do mundo, a preocupação autoritária (bota duplo sentido nisso) com a nossa (in) segurança pública. Falo do farol obrigatório. Vinha eu, hoje, de mais uma jornada RJ-Araruama, arrastando-me nos 80 Km obrigatórios quando, não mais que de repente, me vi envolvido pela maior das blitzes: Polícia Rodoviária Federal. Nada mais lógico, pensei, estando o RJ como vitrine do mundo. Achei que, como costuma acontecer (deferência aos meus ralos e esbranquiçados cabelos), não me fariam parar. Quem disse? Orientado a encostar ao lado de uma das 10 viaturas (não menos de 50 homens envolvidos), fui gentilmente abordado. Documentos do carro e habilitação. Nada mais lógico, pensei ainda, estando o RJ como vitrine do mundo. Após atenta análise documental, o agente, educadamente, disse que eu havia sido detido por estar trafegando numa rodovia federal, com farol apagado. Expliquei que, no meu entendimento, a tal lei não contemplava a Ponte Rio- Niterói (ligação intermunicipal) como rodovia federal. Vindo em nossa direção, no trânsito das 10 horas, uma serpente interminável de faróis apagados fazia coro com a minha lógica. O agente concordou quanto a desinformação, origem do descumprimento, motivo pelo qual não me multaria. Disfarçando minha vontade de expressar o que realmente sentia, enveredei por entre as viaturas, obedecendo a orientação recebida. Já de farol aceso. Fui parado de novo. Argumentei que acabara de ser fiscalizado. Mas, com sutil ironia, disse que reapresentaria, se ele assim determinasse, a documentação que descansava no banco do carona. E não é que tive de fazê-lo? De tudo ficam as considerações finais. Enquanto a xiripoca pia nos limites urbanos determinados como áreas exclusivas do tráfico, gastamos nossas forças de segurança para ações fúteis. Desinteressado de cumprir com sua obrigação de proteger, o Estado é mero arrecadador. Que se danem os outros.

*Carlos Ney é jornalista e escritor

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